O R(r)eal da aparência no dispositivo psicológico: A questão do concreto real no Cinema.

No preâmbulo de minha exposição, penso prestar homenagem aos ídolos de minha leitura como Andre Bazin e Jacques Rancière, ou ídolos na direção de cinema, como Lars Von Trier e Thomas Vintenberg, que se aquartelaram nas suposições realistas para desvelarem uma incursão sobre o real e preservando-o ao máximo que puderam essa desvelação do real no movimento cunhado de Dogma 95. Ouso afirmar a impossibilidade (leia-se) dificuldade de pautar-se num real sólido e concreto, eis o por quê.

No cinema a realidade não é concreta e sim psicológica, dependendo da mediação de um sujeito cognoscente para realizar-se na deformação que uma metamorfose das imagens propulsiona. Como expresso em Maurice Merleau- Ponty, é na sua qualidade ontológica que as imagens se dispõem a dobrar o real, revelando uma qualidade cinematográfica que se desvenda sob os véus de relações interpessoais e sociais, porém, a tal “concretização” do real cisma em não revelar-se, reagrupando-se nos intervalos da diegese, e na própria ão fisicalidade da apreensão dessas imagens.

O Cinema como Henri Angel abordava revela características de uma metafísica redecorativa, não somente uma metafísica qualitativa, mais uma reordenação mental, uma potência dialética das imagens para com o aparato de estruturas mentais que vivem se redefinindo no espaço psicológico, como espectro universal de sabedoria.

A Grande Ilusão. Jean Renoir, 1937.

A Grande Ilusão. Jean Renoir, 1937.

As imagens no Cinema passaram por um “violento” processo de deformação, e leia-se aqui uma menção a André Bazin que utiliza da palavra apenas seus aspectos de desbravamento por esses estetas vanguardistas. Com o expressionismo, a fotografia elevada ao seu grau máximo de exploração, associação e abstração, e a montagem de intelectual de Einseinstein que promovia essa reorganização social e psicológica do mundo através de elementos de relação, serviram de experimento, e acima de tudo de integração à psicologia inerente a dimensão de um real puro das imagens, demonstrando a capacidade da imagem se sobrepor e intercalar-se com o simbólico, ela aguenta o choque de abstração, por ser uma imagem integral e forte o suficiente para aceitar tais abstrações, não dependendo totalmente do real para sobrevive e (re) significar.

Mesmo o documentário sofre esse assédio, esse processo “violento” de escultura imagética, sofrendo diversos níveis de detonações controladas em sua superfície, uma fundação que necessita de constante reparos e construções, pois a máquina de empreiteiros traz à demanda. As imagens se reagrupam em um estado catártico de consciência e mimese da “imageria”, como Jacques Rancière disponibilizava todo o material de imagens disponíveis, a fim de ideologicamente funcionar tanto como pólvora (reagente) como o detonar (reação) perpassando todos os níveis disponíveis do aparato social e psicológico disponíveis, que na contradição e choque se dispõem.

É na qualidade de seres constituintes e constitutivos que remontamos um material indiciário das imagens, catalogando-as de acordo com um universo mental que visa completar-se nas experiências mundanas, contra a construção de uma genética que acreditamos existir independente dos corpos de atração, e claro de reação. Pois a Arte se faz no humano e não em um mundo pré determinado assumindo a regência.

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